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Ainda que a COP26 de Glasgow tenha trazido avanços concretos na luta contra as mudanças climáticas, o evento terminou deixando a clara sensação de que os governos nacionais não estão produzindo respostas à altura do desafio que o planeta enfrenta. Para nós da BlockC o balanço foi positivo, pois lançamos durante a conferência o primeiro marketplace para compra e venda de créditos de carbono do Brasil, em parceria com a AirCarbon Exchange de Cingapura e a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Nosso corpo técnico está produzindo uma análise aprofundada dos resultados da COP26 e do seu impacto para as empresas que operam no Brasil, que será publicado aqui nas próximas semanas. Enquanto isso, reunimos a seguir resumos e links para alguns balanços do evento publicados na grande imprensa e em sites especializados.

The Guardian
Compromisso difuso sobre fim do uso de carvão e deficiências no financiamento climático amenizam o otimismo em relação ao acordo de Glasgow

Para o jornal inglês, especialistas saudaram o “Pacto Climático de Glasgow”, que pela primeira vez teve como alvo principal os combustíveis fósseis, mas criticaram o acordo por não ir longe o suficiente. A conferência também trouxe vitória na resolução com regras sobre mercados de carbono, mas não avançou no prometido financiamento climático das nações ricas aos países mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. O texto do acordo sofreu intervenção de última hora da Índia para atenuar a linguagem sobre carvão, substituindo sua “eliminação gradual” por “redução gradual”.

Americas Quarterly
A COP26 foi um bom negócio para o Brasil?

A publicação do think thank Americas Society/Council of the Americas afirma que, para o Brasil e a América Latina, o que está no acordo sobre os mercados de carbono da COP26 é tão importante quanto o que foi deixado de fora. Definir regras para um mercado global de carbono permitirá que os países que podem reduzir suas emissões além de suas contribuições nacionais determinadas (NDCs) no Acordo de Paris de 2015 ajudem os países que não podem pagar para alcançar seus próprios NDCs. De acordo com o Artigo 6, a parte do acordo COP26 que trata do comércio de carbono, esse comércio pode ocorrer por meio de acordos governo a governo ou entre partes públicas e privadas em diferentes países, com ajustes correspondentes nas contas do NDC.

Bloomberg
Esqueça as palavras deste acordo COP26. Siga o dinheiro.

Para a agência de informações econômicas, o comunicado final da conferência do clima de Glasgow prometia inicialmente “acelerar a eliminação do carvão e subsídios para combustíveis fósseis”, mas no último minuto teve a redação foi alterada para “escalar os esforços para reduzir a energia do carvão e eliminar os ineficientes subsídios aos combustíveis fósseis”. Resultado: o “Pacto Climático de Glasgow” não terá grande impacto no que os grandes emissores do mundo farão nos próximos anos. Entretanto, apesar da redação suavizada, classificar claramente subsídios aos combustíveis fósseis como “ineficientes” é um avanço, porque essas fontes de energia não pagam à sociedade as externalidades de custo que sua poluição impõe à saúde humana e ao clima global.

CNBC
O que a Conferência do Clima COP26 realmente alcançou

O site noticioso reconhece que as nações fizeram novas promessas sobre poluição por gás metano, desmatamento, financiamento de carvão, bem como a conclusão das regras há muito aguardadas sobre o comércio de carbono, além de um acordo notável entre os EUA e a China. Entretanto, destaca que cientistas do clima, especialistas jurídicos e políticos são unânimes em afirmar que o acordo final de Glasgow resultou em um progresso insuficiente para lidar com a crise climática.

Carbon Brief
Uma análise detalhada dos resultados acordados nas negociações

Em um dos mais detalhados balanços da conferência, o site especializado saudou o fato de que os negociadores finalmente encerraram as discussões em torno do “livro de regras” do Acordo de Paris, com destaque para regulamentações sobre os mercados de carbono e relatórios regulares de dados climáticos por todos os países. Entretanto, destacou como nota negativa desta COP o fracasso em fornecer às nações vulneráveis dinheiro para reconstruir e responder aos impactos inevitáveis ​​da mudança climática.

Synergia Ambiental
Entre avanços e fracassos

O site da empresa de consultoria saudou a primeira citação direta aos efeitos negativos dos combustíveis fósseis, com ênfase na necessidade de redução do carvão mineral e dos subsídios aos combustíveis fósseis. Entretanto, destacou a falta de clareza sobre uma plataforma consistente de aumento de ambições dos países, alinhados ao compromisso de manter o aumento de temperatura em 1,5ºC, conforme previsto no Acordo de Paris.

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